Esta página solo está disponible en portugués.

Especial Carnaval

Especial Carnaval · Noite 2 — Notáveis do Samba

sexta-feira, 18 de dezembro de 2026 · 19h30 · Herval d'Oeste

  • Data18/12sexta-feira
  • Horário19h30
  • LocalBarracão da Acadêmicos do Grande Vale · Rua Victório Luiz Zanella, Distrito Industrial União · Herval d'Oeste
  • EntradaGratuitasem retirada de ingresso
  • AcessibilidadeLibrasintérprete na sessão e no debate
  • ClassificaçãoL

Notáveis do Samba, de Alceu Bett, mergulha na cena do samba de Joinville — a “Cidade da Dança” de forte herança europeia — e nos mestres e mestras que mantêm viva a cultura popular no sul do país. Depois do filme, Alessandra Bernardino, pesquisadora do filme, e o pai dela, da Velha Guarda da Príncipes do Samba, conversam com o público, com interpretação em Libras.

Sexta-feira, 18 de dezembro de 2026. No barracão da Acadêmicos do Grande Vale (Rua Victório Luiz Zanella, Distrito Industrial União, Herval d’Oeste). Público a partir das 19h30, falas às 20h e filme às 20h10. Entrada gratuita, sem retirada de ingresso, com interpretação em Libras. Acompanhe @cineclube.pupilo.

Na tela

Cena de Notáveis do Samba

Notáveis do Samba

2024 · 70 min · direção de Alceu Bett

Na cidade de Joinville, conhecida nacionalmente como a “Cidade da Dança” e marcada por forte herança europeia, pulsa também um coração ritmado pelo tamborim, pelo cavaquinho e pelo surdo. O documentário mergulha na cena do samba local, revelando personagens que mantêm viva a chama da cultura popular brasileira no sul do país.

Ficha completa do filme →

Mediação e debate

Foto de Alessandra Bernardino

Alessandra Bernardino

Pesquisadora do filme · carnaval de Joinville

Mulher quilombola da Comunidade de Itapocu, em Araquari (SC), mestre em Educação pelo IFC e pesquisadora da história e da cultura africana, afro-brasileira e quilombola. Foi pesquisadora cinematográfica de "Notáveis do Samba" e é autora de sinopses da escola de samba Príncipes do Samba, de Joinville.

Coordena o Projeto Catumbi Mirim, reconhecido entre os 30 melhores do país pelo CEERT e premiado pelo Ministério da Cultura (Prêmio de Culturas Populares Leandro Gomes de Barros, 2017), e o Núcleo de Estudos Étnico-Raciais para Equidade da CRE Joinville. Produziu os documentários "Itapocu" (2017), exibido no Festival Ecrans Noirs, em Camarões, e "Flores em Vida" (Prêmio Arte do Quilombo, Fundação Palmares, 2020).

@alessandrabernardino3401

Texto curatorial · Especial Carnaval

Onde o samba fez morada

Há uma imagem que atravessa os filmes desta mostra: alguém que passou o ano inteiro costurando, ensaiando, esperando — e que, por alguns minutos, cruza a avenida carregando uma comunidade inteira no corpo. O carnaval é festa, mas é também arquivo. Guarda nos sambas-enredo, nas fantasias e nos passos do mestre-sala as histórias que quase nunca couberam nos livros.

Em Joaçaba e Herval d'Oeste, separadas — e costuradas — pelo Rio do Peixe, essa história começa cedo. Em 1934 o jornal Cruzeiro do Sul já noticiava um desfile na Rua Getúlio Vargas, e as primeiras batucadas nasceram de raízes afro-brasileiras, em casas de santo de Herval d'Oeste. Dos casais do "Que Murmurem", que nos anos 1950 levavam o carnaval às ruas e aos clubes, às escolas que hoje põem milhares de pessoas na avenida — organizadas desde 1996 pela LIESJHO —, a festa virou uma das mais tradicionais do Sul do Brasil. Entre Máscaras e Sorrisos, de Airton Cevey Junior, abre a mostra entrando nesses bastidores: o barracão, a costura, as disputas, os afetos, quem faz a festa acontecer.

Mas essa história não é só nossa. Em Joinville, a "Cidade da Dança" de herança europeia, o samba ganhou endereço em 1967, quando amigos do Kênia Clube — clube da comunidade negra da cidade — criaram o bloco que viria a ser a Príncipes do Samba; é desse chão que falam os mestres de Notáveis do Samba, de Alceu Bett. Em Jaraguá do Sul, outra cidade que se conta alemã e italiana, Manuel da Rosa, o Mestre Manequinha, fundou a Estrela D'Alva em 1938 e manteve o carnaval vivo por décadas, trazendo a cultura afro-brasileira para o centro da festa — é ele o personagem de Manequinha, de Thiago Barba. E em Florianópolis, no Morro da Caixa, moradores do morro e marinheiros saudosos do Rio fundaram em 1955 a Embaixada Copa Lord, uma das escolas mais antigas e premiadas do estado, retratada em Lorde do Carnaval, de Gabriela Rovai.

Ver esses filmes juntos é fazer algumas perguntas. Quem guarda a memória do carnaval quando os holofotes se apagam? O que acontece com um saber — bater um surdo, conduzir uma bandeira, riscar um enredo — quando seus mestres partem? Por que, num Sul que tantas vezes se narra europeu, foram comunidades negras que fizeram do samba uma forma de existir e de ocupar a cidade? E o que Joaçaba reconhece de si mesma no carnaval de Joinville, de Jaraguá e da Ilha?

Por isso as sessões acontecem nas próprias escolas de samba — na rua, em frente à escola, ou no barracão —, com quem faz o carnaval na plateia e no debate. Que o cinema, aqui, seja menos uma tela e mais uma roda: um lugar de ver, de lembrar e de conversar.

Curadoria: Pupilo

Programação: Especial Carnaval

Na imprensa

Projeto realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) — Ministério da Cultura, Governo Federal — por meio do Edital de Chamamento Público Cultural nº 01/2026 do Município de Joaçaba. Realização: Pupilo e Celeiro Cultural. Apoio: LIESJHO — Liga Independente das Escolas de Samba de Joaçaba e Herval d'Oeste.

Cinema é educação

As sessões do Cineclube Pupilo levam cinema e mediação pedagógica a escolas e comunidades.