I Mostra Fita de Cinema cumpre com seu papel
A primeira edição da Mostra Fita de Cinema — A Música nas Fitas de Rogério Sganzerla — que aconteceu em sua terra natal, Joaçaba, celebrou com sucesso a obra do cineasta catarinense que se tornou um dos maiores nomes do cinema marginal brasileiro.
O evento, realizado durante o mês de maio no modelo híbrido, reuniu grandes estudiosos de Sganzerla, amigos como Antônio Carlos Pereira (o Bolinha) e o irmão Albino Sganzerla Filho (o Albininho), além de pessoas da comunidade, estudantes e profissionais da área da comunicação.
A mostra teve a curadoria da jornalista e estudiosa Cristina De Marco, que usou a música como elemento principal — toda a ligação de Sganzerla com o samba e com a Música Popular Brasileira. “Sganzerla é um joaçabense reconhecido pelos cinéfilos do mundo todo, homenageado aqui e no exterior. Sua ligação com a música e com os artistas era imensa”, destacou. Durante quatro dias, foram exibidos filmes emblemáticos como o longa Tudo é Brasil (1998), os curtas Brasil (1981) e Informação H.J. Koellreutter (2003), e o média Isto é Noel Rosa (1990).
A Mostra iniciou com uma exibição no Parque Municipal Orestes Bonato, seguiu com Sessões Escola em Joaçaba, Herval d’Oeste e Luzerna — direcionadas ao ensino médio — e três noites de exibições no Teatro Alfredo Sigwalt, complementadas por debates sobre a técnica e o estilo irreverente do cineasta. “Ele fazia um teatro aqui em casa e cobrava ingresso. O ingresso era uma folha de árvore, mas tinha todo um significado. Todos sabíamos que ele ia ser artista”, comentou o irmão Albino.
A Mostra Fita de Cinema foi aprovada pelo Prêmio Catarinense de Cinema — edição especial Lei Paulo Gustavo/2023 — e fortalece a relação entre cinema, música e comunidade, criando pontes entre passado e presente.
Legado: conteúdo e aprendizagem
Além da divulgação da obra e da parte educacional com os alunos, a Mostra proporcionou aprendizado por meio de quatro oficinas gratuitas (três online e uma presencial). Joel Guindani e André Bersaghi apresentaram a “Estética Cinematográfica”; a curadora Cristina de Marco mergulhou no universo de Rogério Sganzerla; Clélia Mello e Eduardo Gonçalves Dias introduziram a arte da crítica de cinema; e Luiz Felipe Soares conduziu a oficina “Trilha Sonora para o Cinema”.